Dicas

3 Coisas Que Todo Mundo Repete Mas Ninguém Entende Sobre Fotografia

Existem algumas frases que sintetizam anos de conhecimento. Uma das que mudou minha forma de enxergar o ensino/aprendizado/produção de fotografia veio da Sarah Meister – galerista do MoMa:

“Fotografia é uma língua estrangeira que todo mundo acha que sabe falar”

Esse aforismo pra mim foi um soco no estômago. Será que eu realmente sabia o que minhas fotos queriam dizer ou eu era aquele turista que atravessa a fronteira do Paraguai e pede uma “cueca-cuela”?

É comum a gente sempre pensar no outro. Mas se os aforismos me ensinaram alguma coisa foi que “só sei que nada sei”– e nesses tempos de “todo mundo é fotógrafo” fica cada vez mais raro parar de clicar e começar a pensar (se você está lendo esse texto, sei que é diferente da maioria mas tenha certeza: você é a exceção que confirma a regra). Então,

Reflita um pouco: você realmente entende a fotografia ou está mais preocupado em reproduzir frases feitas?

A cópia da cópia da cópia…

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O problema de aprender com aforismos é a repetição. Todo mundo repete incansavelmente a célebre frase do Cartier-Bresson: fotografar é colocar na mesma alça de mira o coração e a mente.

Mas se você não entender o real sentido, jamais vai conseguir aplicar o conhecimento na sua prática fotográfica e a frase vira só uma cópia da cópia da cópia…

Por isso é legal ler livros, participar de congressos e fazer workshops.

Como fiz um Workshop valer anos de experiência

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Tem duas formas de fazer um workshop: sentar, assistir e ir embora; ou entrar na mente do professor e tentar enxergar o mundo pelo seus olhos – e quem diz isso não sou eu, é o Tony Robbins. Bons workshops são formas de ganhar tempo. Se você se engajar, aprende coisas que levaria anos sozinho. Passei por algo muito parecido no meu último workshop com o Juliano Coelho. É como se ele desse forma para um monte de coisas que eu pensava mas não sabia como dizer – ou se juntasse pontos soltos, como mesmo ele diz.

Conhecido por criar retratos muito expressivos de mulheres, Juliano é um desses caras que leu, viveu, viu e aprendeu muita coisa. Além da técnica muito própria, os workshops tem algo diferente: a profundidade e a prática.

Aprendi muita coisa (que não cabem nesse post) mas três delas tornaram os aforismos que a maioria dos fotógrafos repetem mecanicamente em métodos práticos no meu dia a dia, e vou compartilhar com você:

1 – Você não fotografa com sua câmera

Ansel Adams disse:

Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.”

Todo fotógrafo certamente já leu isso mas se realmente entendeu, porque as fotos da maiorias são tão parecidas? Se você realmente fotografa com os livros, filmes, música e amores sua foto tem que ser diferente! Revise mentalmente seu último portfólio. Ele se parece com uma extensão da sua personalidade ou é só um apanhado de fotos bonitas “inspiradas” em outros fotógrafos.

Se você é um leitor atento, deve ter se perguntado “então como fotografar com sua personalidade?” E aqui as coisas começam a ficar complicadas. Você identificou o problema mas precisa da solução então vamos pra segunda dica:

2 – Você só fotografa o que você conhece

Ouvi incansavelmente na faculdade de jornalismo: “você precisa conhecer o assunto antes de sair para fotografar” – e para ser franco, meus professores foram muito bons em me ensinar isso. Mas eu não fui tão bom em aprender. “Conhecer” soava como “pesquisar a fundo” mas isso é só metade da laranja.
A outra metade, chamam de Diálogo Possível.

Quando Annie Leibovitz disse:

Quando digo que quero fazer um retrato de alguém, quero dizer que desejo realmente conhecer essa pessoa. Se eu conheço, eu fotografo

“Quando digo que quero fazer um retrato de alguém, quero dizer que desejo realmente conhecer essa pessoa. Se eu conheço, eu fotografo”

Annie falava dessa relação quase inexplicável que temos com um velho amigo, uma parente próximo ou aquele cara do bar que ouviu todos os nossos problemas em um dia ruim. Mas na sua última sessão fotográfica, você estava mais preocupado com a pessoa ou em fazer uma foto incrível que vai receber centenas de likes no facebook?

É difícil admitir mas existe um exercício bem simples para diagnosticar esse problema: durante o ensaio, você olha mais para a pessoa ou para o visor da câmera? Se você realmente conhece alguém, não vai ficar conferindo as fotos enquanto ela fica em segundo plano.

3 – A diferença está no olhar fotográfico

Todo mundo se preocupa em “apurar o olhar fotográfico” sem saber exatamente o que isso significa. Faça o teste agora: papel e caneta na mão, escreva a primeira coisa que vier à sua cabeça sobre olhar fotográfico em uma frase.

Imagens não passam de incontinências do visual.

Não me entenda mal, eu acredito que apurar o olhar é um bom caminho para ser um fotógrafo melhor. Mas Cartier-Bresson dizia que todas as imagens já foram feitas então o que é essa “diferença” do olhar?

A diferença está na mensagem fotográfica, o olhar é a maneira como você expressa a ideia (mas você precisa ter uma ideia antes). Por culpa dos gregos, nos preocupamos mais com a forma do que o conteúdo – e na fotografia isso virou um vício que assassina a criatividade. Qual foi a ideia do seu último ensaio? Retratar as nuances invisíveis, os sentimentos, as emoções ou “fazer uma foto bonita”?

Na verdade, sua ideia pode ser muito simples. Humans of New York é um dos trabalhos fotográficos mais geniais dos últimos anos e o autor conta que só queria mostrar onde cada pessoa vivia em Nova York. Simples, né? Foi Best Seller do The New York Times por 24 meses seguidos.

Qual sua ideia?

Resumo disso tudo em uma frase

Só pra saborear a ironia, vou resumir os insights que aprendi em uma frase:

Fotografe com sua personalidade; conheça e crie relações com as pessoas; e tenha ideias diferentes.

Mas não faça disso um aforismo que você só repete. Lembre-se dos significados, cole post-its, anote num caderno, conte para outras pessoas. Torne-o prático!

Minha última dica é: beba da fonte. Conheça os Workshops do Juliano Coelho, se inscreva e abra sua mente. E se você já fez, quer acrescentar alguma coisa nas dicas, coloca nos comentários que eu vou adorar trocar ideias.

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