Velocidade do obturador

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O que é e como funciona?

O obturador é uma cortina; um dispositivo que abre e fecha controlado a passagem de luz para o interior da câmera por determinado tempo de exposição. Os tempos de exposição podem ser de segundos, minutos e muitas horas. Além dos valores pré-definidos, algumas câmeras contam com a função Bulb (B) que mantém o obturador aberto todo tempo enquanto o disparador estiver acionado.
Os intervalos variam de muito curtos a muito longos e controlá-los possibilita ao fotógrafo explorar diversos efeitos da luz em sua fotografia. Controlar a velocidade do obturador possibilita poder congelar o movimento de uma fração de segundo ou registrar numa foto um borrão de uma ação ou o rastro deixado pelas luzes. A velocidade do obturador é este tempo que determinamos para a entrada da luz no interior câmera, ou seja, para que a luz seja gravada no sensor ou filme. Essa velocidade é medida em segundos e na câmera é  representada por uma relação assim:
tempo e velocidade

Se a velocidade do obturador está determinada em 1, isso permite a entrada da luz por um segundo. Quando estiver em 2, permitirá a entrada de luz durante a metade um segundo. Essas frações de segundo são calculados de maneira a reduzir o tempo de exposição à luz pela metade toda vez que você mudar de um número para outro imediatamente superior. Quando utiliza a velocidade 60s (1/60 segundo) a luz entrará por metade do tempo que entraria em 30 (1/30 de segundo) e assim sucessivamente.

esses valores determinam por quanto tempo a luz vai desenhar-se no sensor da câmera
Esses valores determinam por quanto tempo a luz vai desenhar-se no sensor da câmera

Muito além de um trato técnico os ajustes do tempo de exposição para congelar ou borrar os movimentos da ação fotografada permitem ao fotógrafo descrever diferentes intenções em suas fotos.

congelando o movimento

Utilizar uma velocidade alta produz um movimento congelado. Em fotografias deF1, fotos de crianças brincando, pessoas ou animais  correndo e saltando ou para congelar as gotinhas de água no ar é aconselhável utilizar velocidades superiores a 60, ou seja, uma fração pequena de segundo a luz entrar. O bater de asas de um beija-flor, por exemplo,  é tão rápido que para fotografá-lo é necessário congelar o tempo de um milésimo de segundo. Para paralisar esse movimento a cortina do obturador deve se abrir e fechar muito rapidamente. É possível experimentar utilizando valores entre 1000 e 5000 para congelar o voo desses bichinhos tão interessantes.

Velocidades mais rápidas de disparo congelam a imagem de assuntos em movimento mas, vale lembrar que o obturador aberto por menos tempo também limita a quantidade de luz que estará entrando na foto. Quanto mais altas as velocidades utilizadas mais “escuros” serão os resultados. Para evitar isso se pode compensar a luz através dos outros mecanismos da câmera.

A velocidade alta congela a imagem

borrando tudo

Para imprimir sensação de movimento, basta reduzir a velocidade e deixar os objetos “borrarem” a foto. Considere que  50 ou 60, são os mínimos aconselháveis para fotografar com a câmera na mão. Ao baixar a velocidades  para 50 ou menos, deve-se colocar a câmera em um tripé ou buscar outro apoio firme, evitando que assim que as fotos fiquem tremidas e se perca um clique. Duas estratégias simples são: a) buscar apoiar-se na parede, em um carro ou ajoelhar-se; e b) segurar a respiração no momento do clique se não houver apoio ou um tripé à mão na hora de realizar uma foto noturna, por exemplo.

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Longa exposição utilizando tripé.

 

Para fotografias de longa exposição é recomendado o uso do tripé. Acima à esquerda: câmera na mão usando a parede de apoio; à direita: câmera na mão sem apoio; abaixo: rastro de zoom utilizando tripé.

 

compensar a luz

Variar os ajustes de velocidade de disparo do obturador entre menos ou mais rápido pode resultar nos primeiros cliques em fotos superexpostas (muito clara) ou subexpostas (muito escura). A combinação abertura do diafragma/velocidade do obturador/sensibilidade de ISO torna possível corrigir esses empecilhos e obter boas fotos nas mais diversas condições de iluminação. A quantidade da luz numa foto depende dos ajustes destes dispositivos e fazem muita diferença na mensagem que transmite a imagem, uma vez que cada um desses ajustes manifesta também seus efeitos sobre o resultado da imagem.  Pensar em termos de compensação de luz é considerar que quanto menor o tempo de exposição, menos luz é absorvida no interior da câmera e, por isso, maior deverá ser a abertura do diafragma necessária para se obter uma exposição correta ou a sensibilidade do ISO utilizado, mas disso vou falar numa próxima postagem.

Pratiquem!