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8 motivos para fotógrafos digitais experimentarem fotografar com filme

Não são raras as vezes em que os benefícios de se fotografar com filme são esquecidos em meio à rixa existente entre fotógrafos analógicos e os devotos do digital. As vantagens, que são numerosas, são colocadas de lado, e isso é uma pena por dois motivos.

Fotografia é uma paixão pessoal, e cada pessoa acaba encontrando seu estilo particular de fotografar por motivos extremamente pessoais. Não é diferente do jeito que nos apaixonamos pelas músicas que escutamos, por exemplo. A revolução digital se tornou o caminho escolhido por alguns fotógrafos em busca de desenvolver a auto expressão criativa e de criar algo inteiramente único, e os fotógrafos de filme que subestimam isso, estão errados.

Em segundo lugar, entre esse grande número de fotógrafos digitais, há os que são muito jovens para sequer um dia terem fotografado com filme. Eles não fizeram uma escolha entre o filme e o digital, o digital sempre foi a única opção. Talvez alguns deles se já interessaram em “brincar” com alguma câmera analógica, mas deixaram se de aprofundar por motivos de dificuldade, custo e conveniência.

Os tópicos a seguir vão tentar desmistificar algumas ideias e assim, encorajar quem não fotografou com filme ainda, a dar uma chance à essa arte.

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#1: Te faz ir mais devagar

Hoje em dia, vivenciamos uma espécie de tentação em clicar o tempo inteiro. Registramos nossas vidas através de câmeras e smartphones. Compartilhamos estas imagens de diversos jeitos – Instagram, Facebook, Snapchat e Twitter são só alguns exemplos. Por temos o hábito de fazer imagens sempre que possível, nós clicamos e clicamos sem parar, fazemos centenas de imagens sem sequer pensar sobre elas.

Um rolo de filmes vai te apresentar uma nova lógica. Com apenas 12, 24, ou 36 quadros disponíveis até precisar recarregar, você é estimulado a desenvolver um senso de paciência. Se você quer velocidade e busca capturar a cena em questão de segundos, faz mais sentido clicar com uma digital.

Fotografar com filme é mais parecido com uma experiência meditativa. Você pode terminar o rolo em uma hora, um dia, ou em um final de semana, mas a experiência vai ser um mundo de distância do estilo “snap-snap-snap” digital de fotografar. Ir mais devagar te faz esperar por uma imagem que realmente vale a pena clicar.

Esperar pode transformar uma fotografia ordinária em algo muito mais gratificante.

2: Disciplina pelo limite de número de quadros

Todo rolo de filme custa dinheiro. É custoso comprar, processar e transformar o filme em arquivo digital e, não ser que você nade em dinheiro, vai ser difícil fazer 500 fotos por dia durante um ano inteiro. Isso pode parecer decepcionante para quem busca clicar o máximo possível na busca de aumentar as chances de capturar uma fotografia de qualidade, mas a disciplina envolvida no número limitado de quadros, por outro lado, pode aprimorar sua fotografia de um modo incrível.

Quando eu fotografo uma câmera de médio formato 6×6, com apenas 12 cliques de um rolo de filme eu consigo mais fotografias aproveitáveis do que se eu o fizesse com uma 35mm. Um filme de médio formato pode custar até 80 reais o rolo, além do custo de processamento e escaneamento. Não é barato, e por isso, vem com algumas restrições. Para não desperdiçar o quadro, por exemplo, você vai ter de se atentar mais à composição, luz e ao porquê da imagem que você quer clicar.

Esse é um bom hábito que pode ser aplicado na fotografia digital, também.

#3: Fotografar com filme é uma experiência tática

Fotografar com uma câmera digital envolve praticamente o mesmo número de ações físicas de fotografar com filme – troca de lentes, foco, ajuste a velocidade do obturador e a abertura do diafragma, o apertar de olhos para compor e enquadrar a imagem. Um smarthphone envolve menos ações, por ser necessário somente apertar na tela de um aparelho localizado está à sua frente, nada muito diferente de jogar um jogo de celular.

Fotografar com uma câmera de filme – uma compacta antiga, SLR ou de médio formato – significa desenvolvê-la, ou “carregá-la” você mesmo. Abrir a parte de trás da câmera, enrolar o filme no carretel… tudo isso faz parte do ritual de produzir fotografias. E não podemos esquecer de rebobinar, processo que geralmente requere duas mãos livres.

#4: Deixar a tela de lado

A maioria de nós, hoje em dia, está cercada por telas de computadores o tempo inteiro – no trabalho, em casa, nos locais de estudo. E para muitos de nós, a fotografia nos deu outra tela que clama por interação. Um tablet ou um smartphone pede nossa atenção constantemente…precisamos responder emails, ler as atualizações do Facebook, navegar pelas fotos do Instagram.

Fotografar com uma câmera de filme te leva para longe desses constantes estímulos eletrônicos. O visor é nada além de vidro e, se você tiver sorte, alguns ponteiros, LEDs ou pictogramas, nada mais para tirar sua atenção. Minha Zenit E pode ter suas limitações, mas não está pedindo para eu ler um email enquanto eu tento fazer alguma foto.

#5: Sem edição, apenas cliques

A fotografia volta ao básico com uma câmera de filme – você fotografa, e edita apenas quando revelar o filme. São dois processos completamente distintos.

Muitos fotógrafos digitais separam estes dois processos com sucesso. Eles fotografam, e depois lidam com a imagem. Mas também, com uma tela que te dá a possibilidade de dar uma olhadinha na última fotografia antes de fazer a próxima, ou em qualquer outra imagem antes dessa…

A lacuna entre fazer fotografias com filme e editá-las pode te ajudar a desenvolver seu olho fotográfico. Com o tempo, você esquece as emoções que sentiu quando estava clicando a imagem. Se seu dia está sendo perfeito, por exemplo, então de repente todas as suas fotos serão vistas com cores brilhantes. Se você olhar para elas algumas semanas depois, não vai mais estar apegado às emoções que sentia, você vai desenvolver um olho mais atento à imagem.

#6: Você aprende a ler a luz

Os sistemas modernos de medição da maioria das câmeras digitais são incrivelmente sofisticados. Eles podem captar o deslocamento de luz que teria dado dor de cabeça ao fotógrafo mais experiente. Na maioria das vezes, isso garante a exposição perfeita e é por isso que muitos fotógrafos digitais nunca configuram a câmera manualmente. Afinal, por que o fariam?

Aprender a fazer uma foto com a exposição adequada, especialmente em uma câmera de filme manual, é desafiante. Você vai precisar entender como a luz está localizada na cena e como isso vai afetar sua exposição. O seu objeto está iluminado? Há algum elemento mais iluminado na cena? Ou ainda… há alguma fonte de luz ao fundo? Sua câmera é simples, de peso métrico central, propensa a ser “enganada”? Isso tudo são coisas a serem aprendidas na tentativa e no erro

Mas há também o lado positivo. Se você estiver fotografando em preto e branco ou com películas em cores negativas, filmes possuem uma latitude muito mais ampla que o digital, especialmente ao recuperar detalhes de pontos iluminados.

#7: Os “acidentes felizes” de um filme não podem ser reproduzidos

O filme começa a se deteriorar assim que sai da “fábrica”. É um processo lento e gradual, e pode ser postergado por anos ou até décadas ao colocá-lo em uma geladeira ou freezer, mas todo rolo de filme é diferente. Isso significa que, não importa o que você faça, cada rolo vai dar uma aparência distinta à sua foto.

Isso fica mais evidente com os filmes vencidos, ainda mais aqueles expirados há tempos. Você pode arriscar usar eles, e os resultados podem ser fantásticos – e muito difíceis de reproduzir. É outro universo nada parecido com o mundo de algoritmos de software que dão origem aos filtros de Instagram.

Se estes efeitos pudessem ser reproduzidos com um clique de um botão, eles perderiam o que os faz serem tão especiais.

#8: A espera vai fazer bem para você

Esperar uma semana após voltar de um feriado ou de saída fotográfica para ver suas fotografias parece mais uma piada de mau gosto. Afinal, podemos conseguir muitos “likes” nas redes sociais alguns segundos após fazer uma foto.

Para a maioria de nós, as fotografias foram feitas para serem vistas, e o mundo de compartilhamento instantâneo de fotos nos deu a chance de dividir nosso olhar com pessoas do mundo inteiro. Mas isso significa que a gente deveria compartilhar nossas fotos segundos após fazê-las?

Tenho filmes que fiz há meses atrás, há um ano atrás, há até uma década atrás, que foram processados, mas que ainda não foram escaneados. Um dia eles serão, e quando isso acontecer, vai ser minha oportunidade de relembrar todos aqueles momentos de novo: um festival de verão em uma praia holandesa, uma viagem pela România, um dia ensolarado em Istanbul, e por aí vai… não são milhares de quilômetros até o profissional que vai revelar os filmes, alguns dias depois. É possível.

Por fim, nestes tempos em que conseguimos o que queremos, na hora em que queremos, é bom ter um pouco de paciência.

Via PetaPixel

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